| Desertificação |
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| Escrito por Administrator |
| Qua, 26 de Março de 2008 18:56 |
DesertificaçãoO semi-árido nordestino que sempre resistiu aos longos períodos de estiagem, está entregando os pontos diante do avanço da desertificação. O fenômeno é muito mais cruel que as terríveis secas. O solo perde definitivamente a cobertura fértil e se vão para sempre os parcos nutrientes que sustentam a vegetação pobre do agreste. Sobram apenas a areia, umas poucas plantas espinhosas sem valor econômico e os enormes buracos provocados pela erosão. É um cenário bastante parecido com o de grandes desertos, como o famoso Vale da Morte, na Califórnia. Se fossem reunidas numa só, as áreas já transformadas em pequenos desertos no sertão nordestino formariam uma mancha quase do tamanho do Estado do Sergipe. São mais de 18.000 km2 completamente esturricados, uma terra arenosa. O fenômeno torna-se ainda mais preocupante porque técnicos identificaram uma área dez vezes maior que está indo pelo mesmo caminho. É um território equivalente a quatro vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro. A desertificação é ainda um processo voraz. Geólogos estudos surpreendentes sobre a velocidade de degradação do solo do semi-árido. Perdem-se a cada ano 10 toneladas de terra fértil por hectare. "É como se tirassem dois caminhões basculantes por ano de terra de um campo de futebol". O impacto já é tão devastador que, se deixado por conta da natureza, precisaria de 1000 anos para ser revertido. A situação em certa partes do Nordeste brasileiro é tão dramática que cenário semelhante só é encontrado onde o Saara avança para o interior da África. Futuro comprometido
Com isso, acelera o êxodo das famílias sertanejas que migram em busca de trabalho ou vão avançando a fronteira agrícola para áreas vizinhas e ampliando ainda mais o problema. Só em perda de produtividade, o Ministério do Meio Ambiente estima em cerca de 300 milhões de dólares ao ano o estrago econômico provocado pelos desertos no Nordeste. O prejuízo médio anual é de 7 dólares por hectare nas terras de pastoreio, 50 dólares na agricultura típica de semi-árido e 250 dólares nas terras irrigadas de acordo com o critério de avaliação das Nações Unidas. Os Estados mais atingidos são Ceará e Pernambuco, que têm juntos mais da metade da área sob risco de se desertificar. Os outros pontos críticos podem ser encontrados no Piauí, no Rio Grande do Norte e na Paraíba. A área de risco, mesmo que moderado, já se alastrou para Bahia e o norte de minas Gerais. Os especialistas já identificaram com precisão o mecanismo de proliferação dessa verdadeira praga. O sertão tem quase 18 milhões de habitantes. É a maior adensamento populacional em região de semi-árido do mundo. Para sobreviver, eles lançam mão de técnicas rudimentares de agricultura e pecuária num ambiente que tem muito pouco a oferecer em termos de recursos. As plantações são feitas de forma inadequada e com produtos que exaurem o solo. Os animais criados na região são do tipo que come o que vê pela frente. As lavouras de mandioca e feijão, as mais populares entre os agricultores, estão entre as que menos protegem o solo da devastação. Para se ter uma idéia de quanto o cultivo desse tipo está desprotegido, basta compara-lo com uma região de floresta, onde o fator de preservação das condições do solo é vinte vezes superior. Isso sem contar que a terra continua sendo preparada com queimadas. Muitos projetos de irrigação se tornaram igualmente prejudiciais. Mal elaborados e mal executados, vários levaram água em excesso para o meio do sertão e alteraram drasticamente - e para pior - a composição química do solo. Resultado: as plantas não conseguem resistir. A criação extensiva de bois e de bodes, da forma como é praticada atualmente, tem arrasado o sertão. Os animais comem a vegetação que sobrevive à estiagem prolongada e ainda pisoteiam mudas e plantas rasteiras. O desmatamento indiscriminado da caatinga também contribuiu para o desequilíbrio ambiental. A lenha é retirada sem fiscalização e vai parar nos fogões das famílias e nos fornos de cerâmicas, no Rio grande do Norte, e de fabricas de gesso no sertão, em Pernambuco. Nessas duas áreas e na região da Gilbués, no Piauí, a mineração dizimou o solo cultivável. Para completar, a algaroba, uma árvore peruana que foi introduzida em programas de reflorestamento na década de 40, ocupou as áreas que ainda conservam alguma superfície de solo fértil e matou as plantas nativas. O problema não exatamente a falta de água. Enquanto num deserto chove menos de 100 mm por ano, na caatinga a média é de 500 mm anuais. O tipo de solo da região altera a configuração dessas áreas ressequidas. Onde há solo mais cristalino, a formação desértica é de um imenso areal saariano. Mas em locais de solo mais compacto ou com boa quantidade de argila a desertificação é caracterizada por um ambiente com arbustos secos e grandes crateras erodidas. São lugares nos quais não adianta plantar, porque nada prospera. A recuperação desse tipo de terreno é possível, mas em alto custo. O Ministério do Meio ambiente estima serem necessários 2 bilhões de dólares para reabilitar a região num período de vinte anos. "A conta é alta, mas esse é o preço para não perdermos o semi-árido" (Embrapa). O problema maior para a recuperação não é o dinheiro, mas o tempo exigido. Os Estados unidos estão investindo na reabilitação de suas áreas desertificadas, no Meio Oeste do país, desde a década de 30. No Brasil, a discussão sobre o assunto só tomou impulso na década passada. |
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