| Desertificação afeta 1,2 bilhão de pessoas, diz ONU |
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| Qua, 26 de Março de 2008 18:57 |
Desertificação afeta 1,2 bilhão de pessoas, diz ONUAs graves conseqüências da desertificação causada pela ação humana colocam mais de 1,2 bilhão de pessoas em 100 países em risco, situação que fez com que a ONU soasse o alarme no Dia Mundial da Luta contra a Desertificação, que se comemora neste domingo.
Fonte: www.hdic.pi.gov.b Este ano, a ONU escolheu como tema "A desertificação e a mudança climática: um desafio mundial", com o qual lembra que os dois problemas "interagem em diversos níveis" e ameaçam a capacidade para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até 2015. Devido ao aquecimento global, espera-se que a quantidade de fenômenos meteorológicos extremos, como secas e chuvas intensas, continue aumentando, com um efeito grave em solos já danificados, afirma o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em mensagem divulgada. A tendência "piorará a desertificação e aumentará a prevalência da pobreza, a migração forçada e a vulnerabilidade perante os conflitos nas regiões afetadas", diz Ban. Todas as agências da ONU e os governos de vários países admitem o retrocesso do desmatamento, das terras cultiváveis e das florestas, assim como a carência de água, problemas que já geraram mais pobreza, o avanço dos desertos e um número cada vez maior de refugiados por causa da fome. Em março, o secretário-executivo da Convenção da ONU Contra a Desertificação, Hama Arba Diallo, afirmou que este processo é um problema cujas conseqüências têm escala planetária. Além disso, o representante da ONU lembrou a meta mundial de reduzir a pobreza à metade até 2015, um dos Objetivos do Milênio, mas acrescentou que este propósito mal poderá ser cumprido "caso não se tomem medidas para abordar a conservação do principal instrumento de vida que os países em desenvolvimento têm, que é a terra". Por continentes, a África Subsaariana é a região "com o maior índice de desertificação do mundo", fenômeno que atinge ainda 25% da América Latina e do Caribe, entre outros lugares, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Estima-se que até 2020 cerca de 135 milhões de pessoas correrão risco de serem obrigadas a abandonar suas terras devido à contínua desertificação. Destas, 60 milhões serão da África Subsaariana. Já na Ásia, com 1,7 bilhão de hectares de terra árida, semi-árida e semi-úmida, as regiões prejudicadas incluem desertos crescentes na China, Índia, Irã, Mongólia e Paquistão; as dunas de areia da Síria; as montanhas erodidas do Nepal; e o desmatamento e pecuária extensiva das regiões montanhosas do Laos. Quanto ao número de pessoas afetadas pela desertificação e pela seca, a Ásia é o continente mais prejudicado, de acordo com a ONU. Na América Latina, apesar das florestas tropicais úmidas da região, a perda de terras de cultivo e de vegetação afeta 313 milhões de hectares na região e no Caribe (250 milhões na América do Sul e 63 milhões na América Central e no México). Diante deste problema, os países-membros do Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, criaram em março, em conjunto com Bolívia e Chile, uma estratégia que busca uma alternativa econômica para as terras empobrecidas. Já na Europa, o chamado grupo do Mediterrâneo Norte, formado por Espanha, Portugal, Itália, Turquia e Grécia, é uma das quatro regiões que, segundo a convenção das Nações Unidas, é afetada pela desertificação. Um dos países nos quais é possível constatar uma maior desertificação é o Sudão, onde o problema afeta 13 das 15 províncias, o que representa uma superfície total de 414 mil quilômetros quadrados, segundo o governo sudanês. A desertificação também preocupa a China, onde avança a um ritmo de 1.283 quilômetros quadrados ao ano e já afeta 400 milhões de pessoas diretamente, de acordo com a Administração Estatal Florestal. Cerca de 18% do território chinês já é uma área desértica, principalmente a faixa norte e oeste, embora outros 14% sofram as conseqüências da desertificação, que se estende praticamente por todo o país, segundo o departamento oficial. |
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