| Bactérias disputam com plantas controle dos poros das folhas |
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| Escrito por Administrator |
| Qua, 26 de Março de 2008 15:05 |
Bactérias disputam com plantas controle dos poros das folhasQuando chegam às plantas, as bactérias Pseudomonas syringae logo procuram portas abertas por onde possam entrar e causar lesões nas folhas e nos ramos. As portas são os estômatos, poros microscópicos que têm a capacidade de se abrir ou fechar. Mas a planta detecta o inimigo e rapidamente bloqueia suas entradas. Com as portas fechadas as bactérias não têm como entrar, mas não desistem. Elas descobrem a chave para abri-las e atacar sua vítima. Estudos recentes sugerem que os estômatos podem ser uma alternativa às raízes na absorção de água. Stephen Burgess e Todd Dawson, da Universidade da Califórnia em Berkeley, Estados Unidos, demonstraram em 2004 que as sequóias californianas bebem água pelas folhas. Ainda não está provado que os estômatos sejam os sorvedouros nesse caso, mas Rafael Oliveira, da USP, acredita que essa é a hipótese mais plausível. Os outros mecanismos considerados seriam, segundo diz, mais lentos do que ele e seus colegas observaram. Oliveira fez seu doutorado no laboratório de Dawson, e investiga se no Brasil acontece o mesmo que foi descoberto nas sequóias. Seus estudos têm mostrado que as plantas do Cerrado e da Amazônia também absorvem água pelas folhas. O botânico acredita que o mecanismo seja uma resposta generalizada das plantas à disponibilidade de água no ambiente. O caso das sequóias é exemplar, pois são árvores de grande porte que vivem numa região com meses seguidos de estiagem, com uma neblina espessa diária durante esse período. Há mais água no ar do que no chão, portanto. Para verificar como a água entra nas folhas, será preciso fazer experimentos em laboratório, como usar substâncias que induzam o fechamento dos estômatos e comparar a absorção de água foliar com a de plantas não manipuladas. Mistério vegetal – Ainda não se sabe como as plantas detectam as condições ambientais nem como equacionam as indicações contraditórias que o sol, a umidade do ar, o sistema imunológico e as bactérias fornecem para fechar ou abrir os estômatos. Mas a reação de defesa parece ter um peso grande na decisão: Maeli realizou seus experimentos em plena luz, quando as plantas fazem fotossíntese e por isso têm os estômatos abertos. Mesmo assim cerca de 80% dos estômatos abertos se fecharam na presença das bactérias. “Esse fato sugere que a planta diminui a fotossíntese quando atacada por patógenos”, conclui. Em um trabalho anterior com feijão, publicado na revista Genome em 2005, ela observou que genes ligados à fotossíntese reduzem sua atividade quando as plantas são atacadas por algum agente infeccioso. Esses resultados indicam que o fechamento dos estômatos não é um fenômeno isolado, mas parte de um sistema que coordena as funções vitais da planta com sua defesa. Feita a descoberta em Arabidopsis, é preciso demonstrar que o mesmo vale para outros sistemas. O uso de modelos biológicos, como Arabidopsis para plantas, ratos de laboratório para mamíferos ou drosófilas para insetos, permite um avanço mais rápido da pesquisa. Após descobrir um mecanismo em uma dessas espécies, é possível direcionar os estudos em busca de propriedades específicas de outros organismos. Maeli examinou também tomateiros e plantas de tabaco, que apresentaram a mesmo tipo de resposta. Por enquanto, o grupo da Universidade de Michigan vai investir em compreender melhor o mecanismo que descobriu. “Pretendemos estudar com maior detalhe os componentes moleculares envolvidos na defesa estomatal e como a coronatina age para desarmá-la. Queremos também entender se essa defesa é efetiva contra outras bactérias patogênicas que entram na folha, principalmente pelo estômato”, diz Maeli. Em uma floresta tropical as folhas abrigam uma imensa diversidade de microorganismos (até 600 espécies numa única folha) e processos complexos de interação (veja edição de julho deste ano de Pesquisa FAPESP). O mundo das folhas chega a ter um nome entre os especialistas, filosfera. Ainda há muito a desbravar nesse universo. Fonte: FAPESP |
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